Eu sei que as coisas mudam. Os anos aumentam, pessoas envelhecem, coisas quebram, tudo vai e vem… Talvez no meio desse ciclo algo fique, parado no tempo, como se tivesse protegido por uma bolha de sabão, só que uma bolha de sabão forte, e lá dentro estão os sentimentos. Eu realmente pensei que eles estariam protegidos para sempre, que estariam do mesmo jeito e que nunca mudariam. E não são eles que mudam. As atitudes das pessoas, fora da bolha de sabão, fazem eles mudar. Hoje eu não te conheço mais, eu não sei da sua vida e nem tenho o número do seu celular. Eu não sei o que estorou nossa bolha de sabão, talvez o modo como você me tratava, ou foi a distância que criamos entre nós? Talvez seja. Mesmo depois das lágrimas, dos desesperos que você me provocava, eu conseguia sorrir, pois eu sabia, que te amava e nada mudaria aquilo. Eu sabia que te teria comigo para sempre, você estava guardado no meu coração. E aquilo me fazia bem, pelo fato de que, eu nunca consegui me apegar realmente a alguma coisa, eu nunca consegui ficar muito tempo com algo mas você veio e mudou tudo isso. Eu te amei, de verdade, você significou tudo para mim, eu largaria minha vida para viver ao seu lado, eu viveria de brisa se fosse preciso, mas eu te acompanharia até o lugar mais alto do mundo, te olharia até você pegar no sono, gravaria cada pedaço do seu rosto na minha memória, não deixaria nada de ruim te acontecer. Mas nada disso aconteceu… Hoje, eu já não sinto tanto, me sinto vazia, mas talvez seja melhor do que sentir que vou explodir de tanto amor por você. Não foi paixão, não passou, é amor, em menor quantidade, com uma vergonha a mais de demonstrar, com mais medos. Eu te chamei mil vezes, disse, que você teria tudo que quisesse ao meu lado, mas você, preferiu seus amigos e suas noitadas. Eu sinto muito, por hoje, você estar sentado na sua cama discando meu número, não irei de atender, e isso não é uma vingança, eu só não posso me deixar levar devolta, eu não quero te ligar desesperada pedindo se posso te ver e escutar uma música extremamente alta no fundo sabendo que tem várias meninas ao seu lado, eu não quero você me tratando mal perto dos seus amigos só para manter a fama de pegador, eu não quero mais você.
Eu podia sentir as gotas da chuva me perfurando. Era como se mil facas entrassem no meu corpo sem sequer avisar. Eu precisava, talvez, correr dali, fugir mais uma vez, mas meus pés simplesmente tinham decidido não me obedecer. A verdade, é que o que mais doía, era meu coração, ah e ele eu não podia arrancar, ele eu não podia tirar e guardar em uma caixa, ou simplesmente fingir que não existia. Eu nunca acreditei na verdadeira dor das pessoas, e nem na felicidade delas. O amor, ah, eu achava o amor uma tremenda babaquice, daquelas que as pessoas inventavam pra dar desculpas sobre seus fracassos, sobre seus vícios e tudo mais de ruim que lhes acontecia. Talvez eu fosse feliz, naquela época eu fosse realmente o que queria, indepêndente de tudo e de todos, a sociedade não existia, eu fazia as minhas coisas do meu jeito, sem me preocupar se alguém iria gostar ou não… Um tempo depois alguém me falo que isso era uma vida robótica. Esse mesmo alguém me tiro dessa vida. Não sei se devo agradecer… Na verdade eu sei sim. Eu deveria acabar com a vida dele, eu deveria queimar todas as coisas que ele gosta, deveria colocar em ação os medos mais temidos dele, por que isso, eu sabia. Não se namora uma pessoa e fica se sabendo apenas as coisas boas, se é que posso chamar o que tivemos de namoro. Nunca reparei em sorrisos, e quase nunca sorria. Mas o dia que eu o encontrei pela primeira vez foi algo surreal. Os olhos dele brilhavam como estrelas incrivelmente iluminadas no céu mais escuro do universo. Ele tinha um tom de pele branco, extremamente branco, não parecia alguém doente, nem nada do género, mas era diferente, e o diferente, me atraia. Ele tinha dentes perfeitos, um do lado do outro, e quando ele abria a boca, eu conseguia ver a coisa que mais me hipnotizo nesse mundo, o sorriso dele. Até hoje de verdade, eu não sei o que em mim chamou a atenção dele. Eu só sei que ele mudo a minha vida, ele me fez crescer e de um modo conhecer o mundo, lembro dele falando de suas aventuras na escola quando pequeno, enquanto estávamos deitados em um quarto que apenas contia uma cama com cobertas grossas, e era só aquilo que nós precisávamos, um do outro, uma cama, e cobertas para nós proteger do frio. Eu viveria ao lado dele para sempre, era assim que prometia todas as noites que conseguia ver ele fechando os olhos para dormir. Não sei das juras dele, eu tentava ficar acordada enquanto ele passava as mãos por meus cabelos e cantarolava uma música extremamente baixa me fazendo cair no sono mais rápido do que o normal. Quando ele não estava comigo, o sono não vinha, era surreal depender tanto de uma pessoa, justo eu, lembra, eu falei que era indepêndente de tudo e de todos. Quando ele demorava para chegar, meu coração apertava, naquela cidade, tão grande e iluminada por tantas luzes, mas sem nenhum humano para mim, ele podia se perder, podia… Eu imaginava mil tragédias, mas ai ele chegava e deixava meu coração em paz. Mas eu nem sabia que a maior tragédia quem provocaria seria ele. Sabe quando você se entrega a alguém totalmente? Eu me entreguei para ele, meu coração só pulsava em sua função, não existia eu, era só ele, ele, ele… E foi nessa fixação, que eu descobri que ele não sentia o mesmo. Fazia algumas semanas que mal nos víamos, ele sempre preferia me ver no meu apartamento, nunca me atendia. A dúvida sobre ter feito algo errado ou magoado ele pairava sobre minha cabeça. Decidi que iria concertar tudo, eramos almas gémeas e ficaríamos juntos acima de qualquer coisa. Esse pensamento se destruiu quando entrei no apartamento dele e o vi com outra. Dizem que quando você vai morrer um filme da sua vida inteira passa na sua cabeça, e foi o que aconteceu. Eu vi tudo, desde a primeira vez que olhei naqueles olhos que agora não brilhavam mais, até as noites que passávamos juntos embaixo das cobertas falando sobre a vida e sobre como viveriamos ela até o fim juntos. Eu fui traída. E eu pensei que iria morrer, naquele instante, porque não havia mais o que viver se ele não estava comigo, ele era minha vida. Eu fui traída, pela pessoa que me tirou da minha vida robótica, pela pessoa que me ensinou a amar e me ensinou a odiar. Eu nunca senti algo que doesse tanto, ai eu entendi, que a sociedade realmente sofria por amor, que aquilo não era uma tremenda babaquice, mas sabe, eu preferia não saber. Hoje já não da mais para contar nos dedos os meses que esse fato aconteceu, mas eu ainda me pego chorando, sentindo uma coisa horrível, imaginando o rosto dele pegando fogo, eu o odeio, com todas as minha forças, o odeio por me fazer entrar em uma sociedade que sofre, que se importa, eu o odeio por ter mentindo para mim, mas eu me odeio mais, por ainda saber que meu coração o quer, e pelo meu corpo não me obedecer, eu quero fugir daqui, e de tudo isso, mas tudo que meus pés fazem é correr até a rua da casa dele e me deixar lá o observando, feliz, com outra, não sentindo a mínima falta de mim, e isso é o que mais machuca. Eu preferia mil facas entrando no meu corpo do que ter que vê-lo e não poder tocar nos cabelos mais sedosos que eu já senti na minha vida, do que não ser o motivo do sorriso dele e nem ser a vida dele, como ele ainda é a minha.
— Eu gostava de escrever sobre você. Me fazia bem, porque ninguém queria saber o que eu sentia, mas eu, de alguma forma, precisava demonstrar, e um tempo depois descobri porque. Você me enchia, me completava até demais, você era meu caminho do bem e o do mal também. Você era a pessoa mais importante da minha vida, que ás vezes eu desejava que não existisse. Eu era dependente de tudo que há em você. Quando você sorria, me fazia sorrir, quando chorava, eu também chorava. Mas e quando você não ligava pra mim… Eu me atirava no poço mais fundo que achava, me fazia mal e desejava não ter mais 5 minutos de vida. Mas você me tirava de lá, me fazia melhorar, cuidava de mim, só pra fazer eu mesma me jogar mais 500 vezes lá. Você me fez bem e me fez mal. Eu tentei de todas as maneiras que um ser humano pode tentar, me afastar. Eu disse sério quando corri pra longe e me escondi no meu quarto desejando que você saísse da minha cabeça, e principalmente, do meu coração. Nenhuma dessas vezes adiantou. Você vinha de alguma forma, chegava perto, de mansinho, com uma conversa qualquer e eu me achava importante. Tanto tempo depois, vejo o que você realmente foi, um nada. Hoje ninguém mais se preocupa com você, você ta no fundo do poço onde eu estive por várias vezes, e por sua culpa, mas a diferença é que eu não vou te resgatar e depois te jogar devolta. Eu não quero nem chegar perto de você, e relembrar todo o sofrimento que você me trouxe. Eu me desapeguei, demorei, mas parei de ser burra, eu me afastei e você me viu indo embora, e hoje digo, que a melhor dor que senti, foi quando não te vi vindo atrás de mim, porque se você tivesse vindo, a meu rapaz, eu ainda séria escrava do amor que acreditava sentir por esse seu jeito engraçado, por esse sorriso perfeito e esse brilho nos seus olhos, que escondem, uma pessoa sozinha, depressiva e que precisa de atenção.
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